Lutando contra a Desorganização e Acúmulo

Publicado no dia 29 de junho de 2018


No Brasil, ainda se sabe pouco sobre os acumuladores e as pessoas que sofrem com a desorganização crônica. De forma geral, rotula-se como sendo realidade de norte-americanos ou de uma pessoa extremamente preguiçosa e sem higiene.  NÃO, NÃO É ISSO QUE ACONTECE! Saiba as causas!

Imagem de uma pessoa em posição de luta

Em primeiro lugar, existem vários casos de pessoas que estão em situação de acúmulo extremo. Pesquisas comunitárias estimam que a prevalência de acumulação clinicamente significativa nos Estados Unidos e na Europa seja aproximadamente de 2 a 6 %.  Só na Zona Sul de São Paulo são cerca de 180 casos em Situação de Acúmulo que estão sendo acompanhados.

O desafio é imenso, pois muitos não reconhecem o problema e nem aceitam ajuda. Além disso, não possuem recursos suficientes para lidar com a situação. Faltam profissionais da saúde mental que acompanhem de perto esses casos, equipe para remoção dos objetos, veículos e equipamento para remoção. Mesmo assim, as Redes de Atenção estão caminhando e atendendo os casos da melhor forma possível, realizando reuniões, grupos de trabalhos, fóruns para poder planejar estratégias e melhorar o atendimento nessas situações. 

Neste mês de junho, a TV Record, em seu programa Domingo Show, fez um especial sobre a cantora Perla e, ao entrevist­á-la, percebeu que a casa em que ela mora estava extremamente desorganizada e com excesso de objetos acumulados.

Foi então que minha parceira de trabalho, a consultora de organização Yolanda Hollaender, e eu, Psicóloga Clínica, fomos convidadas para participar de uma 2ª edição do programa com acantora para ajudar na organização da casa. Yolanda reuniu uma boa equipe de profissionais de organização e fomos à casa de Perla.

Essa foi a 1ª vez, na TV brasileira, que uma psicóloga e organizadoras profissionais trabalham juntas para contribuir com um caso de desorganização extrema e acúmulo - o que foi muito importante pois pudemos esclarecer o que é essa patologia e o que pode ser feito para ajudar nesses casos.

Imagem de duas peças de quebra-cabeças para montar
Qual o papel do psicólogo neste contexto?

Bem, primeiramente é ajudar a formar um vínculo com a pessoa que está em sofrimento. Não é nada fácil olhar para si mesmo e reconhecer a situação caótica em que se está vivendo. Dói olhar para as feridas. E é preciso muita confiança de que a pessoa que vai estar lá para ajudar não vai causar mais danos. No caso do Transtorno de Acumulação, existe sempre muito medo que alguém pode tirar, jogar fora, descartar algo que é importante e que a pessoa envolvida não está pronta para se desapegar.

Depois, vem a parte de fazer uma compreensão diagnóstica do caso. Levantar o que está por trás dessa desorganização e acúmulo.

As causas do acúmulo e desorganização seriam questões de hábito, problemas emocionais, neurológicos, psicológicos, psiquiátricos?

Cada situação é única. Apesar de poder parecer tudo igual, existe uma pessoa e uma história individual por trás dessa situação que deve ser compreendida para se indicar a melhor forma de tratamento.

No caso da cantora Perla, coube à psicóloga garantir que todos que estavam lidando com a situação – e isso envolviam desde as organizadoras profissionais, cinegrafistas, produtores, equipes de limpeza e jardinagem, para que respeitassem a situação e tivessem cuidado para deixar Perla mais segura com o processo. E, para tal, precisavam entender e respeitar algumas regras para trabalhar com pessoas acumuladoras.

Cuidados no trato com acumuladores e desorganizados crônicos

  •  Não se deve fazer comentários negativos ou expressar desgosto, aversão ou nojo sobre a situação que a casa se encontra, porque a pessoa envolvida vai se sentir diretamente criticada.
  • Não se pode mexer ou remover objetos sem permissão, por mais que pareçam inservíveis.
  • Não se deve tomar decisão pela pessoa - está deve fazer parte do processo e tomar todas as decisões.
  • Não se deve falar como a pessoa deve se sentir diante dos objetos - o sentimento é dela, por mais absurdo que possa parecer.
É importante que o psicólogo esteja presente para identificar o nível de sofrimento que o processo de organização pode estar gerando. Tomar decisões sobre o que vai e o que fica é exaustivo, aparecem dúvidas, é necessário fazer escolhas e lidar com sofrimentos. Por mais que a pessoa envolvida queira resolver, se a organização for muito estressante e dolorosa ela pode parar o processo e o quadro vai ficar ainda pior. A pessoa pode se fechar ainda mais, ficar agressiva e entrar em surto.

A equipe que atende um caso de acúmulo também precisa ser cuidada. Lidar com a intimidade da vida de uma pessoa que está ou esteve em grande sofrimento pode ser bastante dolorido para quem não tem a experiência de separar as emoções geradas no trabalho, da vida pessoal.

E, por fim, o psicólogo deve trabalhar a consciência de que o fato de uma equipe de profissionais ter ajudado a organizar uma casa, cabe à pessoa envolvida manter as coisas em ordem para que o problema não volte. E, para que isso aconteça, é preciso mudar coisas na própria pessoa. O trabalho não está pronto, é só um bom começo.  Muitas vezes a pessoa precisa de tratamento que pode ser neurológico, psicológico ou até psiquiátrico. Outras vezes, precisa de um treinamento para lidar com sua desorganização e acúmulo.

Foto de Yolanda Hollaender e Deborah W. Passos, juntas

Como parceiras no Suporte aos Problemas de Desorganização, Yolanda Hollaender e eu, Deborah Passos, estamos preparando uma oficina, baseada num modelo já utilizado nos Estados Unidos, com estratégias de enfrentamento de problemas de desorganização e acúmulo, e que lançaremos em meados do mês de agosto deste ano.

Também, proferimos palestras para ajudar pessoas a se conscientizarem de que a desorganização e o acúmulo podem ser bastante prejudiciais.

Estaremos anunciando, em breve, as datas das próximas palestras e da oficina.

Caso você tenha interesse ou conhece alguém que se interesse pela palestra ou oficina, entre em contato conosco pelo e-mail: suporte@desorganizacao.com.br

Carinhosamente,
Deborah Williamson Passos
Psicóloga Clínica

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