O Feitiço virou contra o Feiticeiro

Publicado no dia 23 de janeiro de 2018



Agora, sim. A psicóloga que trabalha com desorganizados crônicos e acumuladores vai ter que experimentar do seu próprio remédio. Desapegar, reduzir e readequar.

Estou mudando de casa. Vou sair de uma casa bem grande para uma que não chega nem à metade da outra. Isto, sem contar com a redução do jardim.

Pode parecer loucura, mas não é. A casa há muito tempo estava inadequada. Com as filhas seguindo seus caminhos, isso ficava mais evidente. A conservação não era brincadeira! A limpeza, manutenção e impostos exigiam muitos recursos tanto de tempo, humano e financeiro. Além disto, a casa é isolada: sem serviços no entorno e muito trânsito no deslocamento até o centro – a redução do espaço foi um desejo realizado.

E os objetos e móveis? Bem... também precisaram ser reduzidos e adaptados para a nova casa. Começa o longo trabalho de olhar coisa por coisa e fazer escolhas. Isso vai ou não? E se não vai, para onde vai: venda doação, conserto, descarte? E, para complicar, não é uma decisão individual, pois envolve os outros membros da família.

Fica claro que os objetos à volta têm um valor absolutamente subjetivo para cada pessoa. Pode ser memória atrelada, o valor sentimental ou o valor atribuído tanto quanto sua utilidade, como o que foi gasto em cada um daqueles objetos.

O valor financeiro não depende só do que penso, mas sim do que o mercado consumidor pensa. Posso achar que aquele projetor de slides do meu avô, e que ainda funciona, será vendido por um preço relevante, mas que será compatível se encontrar alguém que compartilhe dessa visão e está disposto a adquirir o produto. É preciso sair da fantasia e entrar na realidade.

O valor sentimental também precisa ser readequado. Quantos objetos eu preciso para relembrar uma pessoa ou de um momento da vida? Quantas fotos devo guardar?

Na verdade, as coisas realmente importantes já fazem parte de nossa vida e nem precisamos de objetos para relembrar.


Agora, se o valor é subjetivo pode ser, sim, modificado. Podemos reavaliar e descobrir que de fato aquele objeto não vale tanto assim e que não se trai a quem se ama quando a escolha é se desfazer de alguns objetos que trazem memórias.

Passar por uma mudança de casa é uma ótima oportunidade de atualizar o que cabe ou não na nossa vida. De ficar mais leve, fluido. Ficar somente com o que realmente faz sentido, que permite movimento e espaço para o novo. 
Menos coisas, mais leveza!


Mas será que precisamos mudar de casa para fazer isso?

De tempos em tempos, é bom olhar para o que nos cerca e analisar se ainda tem a ver com quem de fato somos ou queremos ser, até o momento que só as coisas que realmente escolhermos façam parte de nossas vidas. 

Sim... a vida pode ser mais leve!


Deborah Williamson Passos
Psicóloga Clínica

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