Debatendo sobre clientes desorganizados ou acumuladores

Publicado no dia 5 de maio de 2017


Encontro com Profissionais de Organização
Sempre que posso, participo de debates em grupos que abordam os problemas causados pela acumulação de objetos, a desorganização crônica ou o apego emocional às coisas. É uma maneira de compartilhar meu aprendizado, desde que me interessei pelo tema e que tenho estudado o assunto com mais profundidade.

Participei, recentemente, do IX Ciclo de Atualização em Zoonoses e Saúde Pública, com o tema ‘Transtorno em Acumulação’ e Saúde Pública numa abordagem intersetorial, realizado na Universidade de São Paulo.  

As redes de apoio já começam a ter um olhar mais cuidadoso para as pessoas que sofrem desse transtorno, principalmente depois de aprovado o DECRETO Nº 57.570, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2016, que institui a Política Municipal de Atenção Integral às Pessoas em Situação de Acúmulo – este é um tema que abordarei numa outra postagem.

Hoje, apresento alguns fragmentos de comentários meus em debates sobre as dificuldades encontradas por alguns colegas profissionais, no atendimento ao cliente com um certo grau de acúmulo. Claro que o assunto é extenso, mas a ideia é sensibilizar a sociedade sobre o quanto é preocupante e grave os casos de pessoas em situação de acúmulo. 

Acúmulo ou colecionismo?
Identificando o nível de acúmulo do cliente

Yolanda Hollaender - Existem vários níveis de acumuladores - do mais leve ao extremo (neste caso deve existir a interferência e ajuda de um terapeuta e até mesmo de um psiquiatra, porque a raiz do problema é grave e necessita de tratamento). O profissional de organização deve entender que nesses casos a organização é um suporte para melhorar o nível de salubridade de pessoas com esse transtorno de comportamento. O trabalho é árduo, requer paciência, dedicação, compreensão e, principalmente, percepção do tipo de acumulador que estamos lidando e, necessariamente a orientação de um psicólogo - somente desta forma é que poderemos ajudar e tentar conscientizar tanto o acumulador como seus familiares. Esse é objeto de estudo que tenho aplicado na Oficina de Suporte aos Problemas de Desorganização - todos os que participam dos grupos são acumuladores em níveis I e II. Temos tido resultados bem positivos, pois esses encontros oferecem a oportunidade dessas pessoas se exporem sem medo e sem o olhar crítico de outros. Existem muitos acumuladores que precisam desse apoio e que estão ocultos.

Profissional de Organização & Psicóloga Clínica

Trabalhando em parceria com um profissional da saúde no atendimento ao cliente desorganizado

Yolanda Hollaender Em minha experiência, é preciso ter muito cuidado no atendimento de avaliação de uma pessoa com problemas de acumulação. Um psicoterapeuta precisa trabalhar em parceria com o profissional de organização, pois o acúmulo tem, na maioria das vezes, o fator psicológico como origem do problema. Quando o acumulador pede ajuda é porque já se conscientizou que precisa melhorar o espaço onde mora para ter o mínimo de qualidade de vida. É difícil, mas possível o trabalho de reorganização.

Apego
Cuidado ao oferecer ajuda quando existe a suspeita de que o cliente possa ser um acumulador

Yolanda Hollaender Abordar um acumulador não é tão simples assim: chegar e oferecer ajuda... é preciso muito tato e acompanhamento de um profissional da saúde. Se, para um desorganizado crônico já é difícil a abordagem, imaginem trabalhar com um acumulador! Antes de se tornar um acumulador, ele foi antes um desorganizado crônico. O assunto é mais sério do que parece. Em casos extremos existe a ação da Vigilância Sanitária.


Criatividade
Pessoas desorganizadas podem ser muito criativas
Yolanda Hollaender Estudos comprovam que algumas pessoas desorganizadas 'podem' ser extremamente criativas. Para essas pessoas, o que é importante é o foco no que estão fazendo, seja escrevendo um livro ou matéria jornalística, criando o roteiro para um filme ou peça de teatro, buscando fontes de pesquisa para trabalhos científicos, entre outros. O ambiente caótico acaba não importando, nesses casos. Por isso, a afirmação de que o 'caos' pode ser um aliado na produtividade dessas pessoas. Josh Freed, premiado cineasta, escritor e jornalista canadense fez um documentário de 60 minutos sobre o caos na vida cotidiana (My Massy Life– 2008). No entanto, não se deve generalizar, pois nem todas as pessoas desorganizadas conseguem se livrar da culpa e do prejuízo que o ambiente desorganizado causa. Fica aqui minha opinião e fruto de pesquisa sobre o assunto.Esse debate me fez lembrar da Teoria do Caos, que é um padrão de organização dentro de um fenômeno desorganizado. O longa-metragem “Caos” traz uma frase repetida algumas vezes e que me chamou a atenção: “Existe certa ordem no caos...”.



Como agir em situações em que o cliente não quer se desapegar dos objetos acumulados

Yolanda Hollaender É importante ter a participação do cliente no processo; entender quais os argumentos que a pessoa utiliza quando faz o descarte; e observar se o nível de ansiedade de apego dessa pessoa é muito alto. Em minha experiência em parceria com a psicóloga Deborah Williamson Passos trabalhando com clientes desorganizados crônicos que acumulam, o comportamento de acumular está presente na insegurança e no medo de se desfazer de coisas, mesmo que sejam inservíveis.Esse medo deve ser compreendido e respeitado durante todo o processo. Por essa razão é necessário que se trabalhe sempre junto com o cliente, respeitando seu tempo. 

Se você conhece alguém em situação de acúmulo, Deborah e eu oferecemos ajuda através da Oficina de Suporte aos Problemas de Desorganização. Seguem dois depoimentos de quem já participou da Oficina:

1) Excelente Trabalho! Com certeza esta pequena oficina nos motivou a recomeçar a organização... não que ela tenha se perdido, mas para os acumuladores as vezes uma ajudinha é sempre boa, nem que seja vermos nossas pequenas conquistas. Parabéns a vc e a Deborah! Grande abraço e desejo sucesso no seu trabalho. 'SP' (*)

2) Bom dia povo!!! Adorei nosso encontro e gostaria, se faz necessário, que continuemos!! Olha aí o print do meu teste: 100% Procrastinador É 'R', estamos juntos parceiro... Bjkas pessoal!! Meu abraço, 'SA' (*)

(*). Nosso compromisso com os que participam de nossas oficinas é não divulgar seus nomes, preservando sua identidade. 
Yolanda Hollaender
Sócio-fundadora da ANPOP e membro do ICD

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