As emoções presentes no acúmulo

Publicado no dia 25 de maio de 2017


Já não é tão novidade que existem pessoas que acumulam a ponto de não conseguirem viver na própria casa. Os meios de comunicação têm exposto situações extremas de acúmulo de objetos ou até mesmo de animais.

Este não é um problema só dos americanos. Acontece em vários países, inclusive no Brasil. As redes de atenção em São Paulo estão desenvolvendo estratégias para lidar com esses casos de acúmulo extremo, pois se trata de um problema de saúde pública que coloca em risco a pessoa, a vizinhança e o meio ambiente.

Mas não é sobre essa situação que quero falar. Dentre as pessoas saudáveis e os acumuladores extremos existem aqueles que são parte saudável e parte acumuladora. São pessoas inseridas na sociedade, que normalmente trabalham e se relacionam - têm uma família que os apoiam, no entanto acumulam significativamente.

Acumulam a ponto de perder a funcionalidade de alguma parte ou até mesmo parte de sua casa. Esse acúmulo, normalmente, fica escondido das outras pessoas como se fosse um terrível segredo, fecham a porta do recinto e não convidando pessoas para visitar sua casa.

A pessoa que acumula tem consciência do problema; sabe que esse comportamento está errado; sente vergonha e culpa.

Acompanhando de perto algumas dessas pessoas, percebi que cada caso é uma histórica única. O acúmulo pode ser gerado por uma diversidade de fatores: dificuldade de controlar o impulso de adquirir; de aceitar os limites do espaço ou de se desapegar dos objetos.

Dessas três possibilidades, a dificuldade de se desapegar é a mais incompreendida e difícil de lidar.

O bloqueio emocional de abrir mão está no centro do problema. O apego é tão intenso que a vivência da pessoa é que ela está abrindo mão de parte dela, de um pedaço de si, tal como uma amputação.

Os objetos acumulados dão uma sensação de segurança, de poder e de proteção. Abrir mão significa ficar totalmente vulnerável; desfazer-se de uma parte importante de sua história; aceitar a finitude e viver com um sentimento de vazio...

O tratamento desses casos requer muito cuidado e acolhimento. O acumulador precisa sentir segurança. Estar verdadeiramente motivado para mudar seu comportamento. Sentir que terá suporte e apoio durante todo o processo. Deve, também, conseguir lidar com o medo e o desconforto de se desfazer das coisas e da sensação de vazio, para, aos poucos, construir algo mais saudável que preencha este buraco existencial. 

E vale a pena tratar desses casos? O problema não se resume ao inconveniente de ter uma área bloqueada pelo acúmulo. O acúmulo é o sintoma e causa de questões emocionais: ansiedade, depressão, apego, culpa e vergonha.

Vale a pena tratar essas questões? Para quem está sofrendo, com certeza. Se existe possibilidade de intervenção que gere uma mudança de comportamento e diminuição desse sofrimento emocional, deve ser feito!

O perigo está em ignorar o problema ou acreditar que vai se resolver sozinho, deixando que, talvez, o comportamento de acumular tome conta da vida da pessoa. Afinal, ainda não está claro se os acumuladores extremos não começaram exatamente assim ou se existem outras questões por trás da patologia.
Deborah J. Williamson Passos
Psicóloga Clínica

2 comentários:

  1. Sou uma acumuladora saudável tenho consciência que esta errado, mas me pego sempre comprando.
    Gostaria muito de saber qual tipo de tratamento, qual especialista deveria procurar?

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    Respostas
    1. Olá, Gabriela! Agradecemos a visita e prestígio.
      Bom saber que você tem consciência do nível de acúmulo em que você se encontra.
      Na verdade, uma psicóloga é a profissional mais indicada, pois ela analisa a raiz do problema para identificar quais os apegos que existem no ato de acumular ou comprar coisas em excesso. Contate-nos pelo e-mail: suporte@desorganizacao.com.br para mais detalhes. Forte abraço,

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