Fotografia

Publicado no dia 6 de março de 2015


Olá! Hoje quero chamar a atenção para uma questão das fotografias. Com a infinidade de aparelhos disponíveis tais como: celulares, câmeras, tablets etc as pessoas estão tirando cada vez mais  fotos que entopem os cartões de memória e são descarregados no computador. Algumas pessoas até se dão o trabalho de organizar essas imagens em pastas ou preparar algum tipo de apresentação para compartilhar e até (pasmem!) imprimem algumas.

Contudo, como sou psicóloga, meu olhar vai além da organização das fotos. Observo que as pessoas estão tendo uma relação diferente com os objetos que as cercam. Há um desejo muito grande de capturar estes objetos em imagens. Enchemos nossos aparelhos com fotos, mas... Olhamos, de fato, para essas fotos? Conseguimos olhar os objetos que fotografamos? Eles significam algo?

Quando não existia fotografia, os naturalistas tinham que divulgar o que estavam vendo e precisavam desenhar. Ficavam horas diante do objeto para perceber e registrar os detalhes.


Hoje, passamos menos de 1 segundo. Não temos tempo para ser impactados com o que vemos. Não deixamos aflorar a emoção. E assim, o ver fica esvaziado de sentido. As fotos não substituem a experiência de estar presente. É só uma recordação. E o que vale recordar se não tivemos a experiência?

Pude perceber este paradoxo diante do Coliseu. Adoro história e estar diante deste pedaço de humanidade de mais de 2 mil anos - foi incrível! Paro, olho, penso, recordo e me emociono profundamente. Só depois registro a imagem. Hoje quando recordo aquele momento, vem a imagem, mas  a lembrança da emoção é ainda mais forte. 

Na base do problema de acúmulo, podemos encontrar um sentimento de vazio existencial, de falta. Colocamos nos objetos sentidos que muitas vezes não estão lá. Preenchemos os espaços com coisas, talvez numa tentativa inconsciente de aplacar esse sentimento de vazio.

Por isso, peço que fiquem atentos com a forma e o sentido que estão fotografando. Fotos são maravilhosas, porém, não deve roubar o lugar da experiência.

Sintam, se emocionem, se encantem com as coisas belas da vida, e só depois registrem a imagem. Se uma imagem vale mais que mil palavras, uma experiência vale mais do que mil fotos!

Deborah J. Williamson Passos
Psicóloga Clínica

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